Lá vai a Zica

Redação

outubro 28, 2026

Nos anos 1980, mestre Aurélio Ferreira soltou uma edição atualizada de seu monumental dicionário e lá estava o vocábulo, na página 1.805 – a mesma folha fina e vaporosa de “zero” e “zezinho” (sinônimo de pênis):

“Ziguizira. Qualquer doença que não se pode ou não se quer nomear.”

A variação mais popular, “ziquizira”, surgia adiante, na página 1.806. A palavra, presente nos jornais e revistas desde o início dos anos 1950, era usada, entre aspas no início, em notinhas bem humoradas sobre mandingas, éguas do Jóquei contundidas, políticos em má fase e jogadores de futebol que não saíam do departamento médico.

Aos poucos, a palavra (outro sinônimo ótimo era urucubaca) foi se modernizando e encurtando. Ziquizira, nas conversas de feirantes e mesa de botequim, virou zica.

Mas a língua não para (opa). Hoje, nos campinhos, ringues e bailes a expressão mudou. O rapazola safo, brabo e bom de bola logo ouve: “Esse moleque é zica”. A moçoila que arrasa na pista é “a zica do baile”. O garoto ágil? “É zica na capoeira”. Já no Sul, virou sinônimo de bicicleta ou camelo. “Deixa eu montar na zica e ir para casa”.

Para o torcedor do Flamengo, Zica é sinal de fé e ótimo presságio. Quem vê nossa torcedora mascote, que foi menina de rua, chegou a dormir lá no alto do estádio da Gávea e depois trabalhou na casa dos Antunes em Quintino, sente uma lufada de bons ventos e esperança de gols. E sai pensando, meio confuso: “Xô zica brava… Hoje eu vi a Zica!”

Viva São Judas Tadeu. E viva nossa Zica.