Vini Jr: O sorriso que resiste, a voz que não se cala

Redação

fevereiro 18, 2026

Vinícius José Paixão de Oliveira Júnior,Há dores que atravessam a tela.Quando seus olhos marejados apareceram naquele vídeo, não eram apenas lágrimas — eram séculos de feridas abertas tentando, mais uma vez, cicatrizar. E nós sentimos. Sentimos fundo.

Parecia que você perguntava ao mundo:“De novo? Quando isso vai acabar?”

Mas a pergunta nunca deveria ser sua.

Você continua sendo o menino de sorriso largo que corria livre pelos campos de São Gonçalo. O garoto que jogava por alegria, que dividia o pouco que tinha, que sonhava grande sem deixar de ser leve.

O que o mundo está aprendendo — talvez tarde demais — é a dimensão da sua força. A fortaleza construída dentro de casa, no abraço da família, na dignidade ensinada desde cedo.

Como suportar tanto aos 25 anos?

A pressão de vestir a camisa do maior clube do mundo.De decidir jogos.De representar um país inteiro em ano de Copa do Mundo.De sustentar sonhos que não são só seus.

E ainda assim ter que enfrentar o ódio cru, repetido, público.

Não, hoje você não precisa sorrir. Não precisa ser símbolo. Não precisa ser forte o tempo todo.

Chore, se quiser. Grite, se precisar. Silencie, se for necessário.

Você já suportou demais.Da infância simples às batalhas silenciosas que ninguém viu.Do racismo cotidiano às ofensas escancaradas nos estádios.

Foram inúmeros ataques. Alguns televisionados. Outros vividos longe das câmeras — no mercado, no restaurante, no elevador, nos passeios com quem você ama.

Que peso injusto colocaram sobre seus ombros.

E, mesmo assim, o mundo do futebol também se levantou com você. Craques mundiais fizeram questão de declarar apoio, como Kylian Mbappé, mostrando que talento reconhece talento — e que humanidade reconhece humanidade. Quando vozes globais se unem contra o racismo, o silêncio cúmplice começa a perder espaço.

Mas solidariedade não basta se não vier acompanhada de responsabilidade.Qualquer jogador, dirigente ou torcedor envolvido em ato racista precisa ser investigado com seriedade e punido com o rigor da lei. Se houver indícios contra o atleta argentino do Sport Lisboa e Benfica, que haja apuração transparente, direito de defesa e, comprovada a culpa, punição exemplar. Racismo não pode ser tratado como provocação de jogo — é crime.

Você construiu mais do que uma carreira. Construiu esperança. Criou oportunidades para crianças que hoje enxergam em você um futuro possível. Transformou talento em ferramenta de mudança.

Você já entrou para a história dentro de campo, com dribles que desafiam a lógica e gols que arrebatam multidões.

Mas sua grandeza também está fora dele — na coragem de não se calar.

Chega de hashtags vazias. Chega de inverter culpas. Chega de normalizar o inaceitável.

O racismo não pode vencer. Não pode ser rotina. Não pode ser tratado como parte do jogo.

Que a justiça aja. Que as autoridades cumpram seu papel. Que a vítima nunca mais seja questionada.

Em nome de milhões de brasileiros que se veem em você, receba nosso abraço — firme, solidário, cheio de amor.

A luta parece desigual, mas não é perdida.

Porque cada vez que você se levanta, você não levanta sozinho.

Você levanta um povo inteiro.

FOGO NOS RACISTAS 🔥