John Textor, dono da SAF do Botafogo, concedeu uma entrevista ao GE e falou sobre a situação do alvinegro em 2025, onde a equipe acabou eliminada de todos os torneios e segue em busca de classificação direta para a Libertadores 2026.
Além disso, Textor também comentou sobre o imbróglio com o Lyon, já que torcedores e comentaristas apontaram que a atenção do empresário ao clube francês atrapalhou o Botafogo na temporada. No entanto, ele destaca que não se arrepende da relação que criou entre os dois clubes.
“A forma como tomávamos decisões na Eagle era de forma colaborativa entre França e Brasil. A maioria dos jogadores que contratamos para o Botafogo era identificada com a possibilidade de ter sucesso na Europa. Essa colaboração foi valiosa para o Botafogo, porque trouxe Almada, Luiz Henrique, Igor Jesus… Eles ajudaram o clube a ganhar campeonatos no Brasil porque a Eagle deu um caminho para eles jogarem na Europa. Quando estou sentado com esse troféu (aponta para a Libertadores), não posso estar arrependido“, explicou Textor ao GE.
Dívida do Lyon com o Botafogo
Vale lembrar que Textor comprou o Lyon no fim de 2022. Desde então, os laços do clube francês com o Botafogo se intensificaram, ocasionando até mesmo nas vendas de Lucas Perri, Adryelson e Almada.
No entanto, desde abril deste ano, Textor não tem mais mais participação ativa nas decisões do Lyon. A equipe francesa correu sério risco de rebaixamento e os clubes entraram em uma “guerra fria”. Dessa forma, as transações viraram polêmica e o empresário fez questão de reforçar que o Botafogo é credor do time francês.
“O fato é que o Lyon deve muito dinheiro ao Botafogo, mas o que não é falado é que o Botafogo também deve dinheiro a eles. Eu diria que, grosso modo, Eagle Bidco e Lyon devem algo perto de US$ 160 milhões (R$ 853 milhões) ao Botafogo. E o Botafogo, em valor líquido, deve algo perto de US$ 92 milhões (R$ 492 milhões) para eles“, afirmou.
Situação do Botafogo em 2025
Diferente da temporada 2024, onde conquistou o Brasileirão e Libertadores, o Botafogo de 2025 é encarado por Textor com um viés negativo. Isso porque, o time sofreu muitas mudanças, apenas Barboza, Vitinho, Bastos e Marlon Freitas continuam no clube.
“Começamos o ano muito mal. Tivemos um treinador (Renato Paiva) com um ótimo sistema de jogo, mas acho que ele o abandonou. Estamos em quarto lugar (no Brasileirão). Estou feliz? Eu disse que seria um fracasso se não vencêssemos nada, então é um fracasso. É difícil remotivar o elenco. Olhe para o Fluminense, você ganha um título grande e todos querem sair. Ganhamos títulos e metade dos jogadores quis sair. É normal. Vá ter um novo desafio e ver a Europa. É difícil, não temos o sistema do Palmeiras com um treinador consistente e academia de base. Eu aceito as críticas, mas não aceito o extremismo“, contou.
O empresário norte-americano também comentou sobre a demora por ter contratado um técnico no começo do ano. Lembrando que Renato Paiva chegou ao Botafogo apenas no dia 27 de fevereiro.
“A pressão este ano é ruim. Eu não tive um mês de relaxamento. Você ganha o Brasileirão e a Libertadores e dizem que a questão do treinador foi um planejamento ruim. Ninguém pode reclamar de perder um técnico (Artur Jorge) naquelas condições bizarras. Eu não queria falar para as pessoas naquela altura porque não contratamos ninguém. Falam que foi planejamento ruim, mas adivinhem! Ninguém aceitou o emprego. Não queria falar porque achava que iria fazer mal para a reputação do clube. É melhor que eu leve as críticas, já estou acostumado. Podem falar que foi planejamento, mas ninguém aceitou. Eu sou persuasivo, mas ninguém quis. Se você chegou ao topo, todo treinador sabe que o próximo ano geralmente não vai ser tão bom. Cinco, seis pessoas me recusaram. Talvez eu não tenha sido tão convincente, não foi planejamento“, admitiu.

