Por Fábio Mello
A Seleção Brasileira chega à Copa do Mundo de 2026 com algo raro nos últimos ciclos: Entrosamento e credibilidade fora de campo.
Há sinergia e liderança.
Um presidente jovem, com uma gestão estável, boa condução, transparência e boas ações.
Temos um treinador multicampeão, com conhecimento e respeito internacional, convicto das suas decisões.
Liderando todos os processos, temos profissionais como Rodrigo Caetano e Cícero Souza, “craques” e referências em suas funções como diretor e gerente executivo de seleções, extremamente preparados e acostumados a liderar grupos de estrelas, absorver e conviver com pressões, conquistar títulos e conduzir o país ao tão sonhado hexa.
Mas o futebol se decide dentro de campo. E é aí que está o desafio.
O Brasil tem ótimos jogadores, mas ainda busca sua força coletiva.
Hoje, talvez, tenhamos o “quadrado mágico” fora de campo. Valorizar as lideranças é algo raro por aqui.
O entrosamento que funciona fora precisa aparecer dentro.
Será fundamental ter equilíbrio e humildade para ajustar nossas características de jogo.
Os últimos títulos mostram isso.
Em 1994, vencemos com organização tática defensiva e com a efetividade de Romário e Bebeto decidindo. Importante lembrar que ajustes importantes foram feitos. A saída de Raí e a entrada de Mazinho equilibraram ainda mais o time.
Em 2002, a estrutura tática novamente foi fundamental, e ainda contávamos com a genialidade de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, que podiam decidir a qualquer momento. E, ainda assim, houve ajuste. A entrada de Kleberson no lugar de Juninho Paulista trouxe mais equilíbrio a um time que já jogava com três zagueiros e alas “fenomenais”.
O talento sempre esteve presente, mas nunca caminhou sozinho.
Hoje, temos jogadores protagonistas em seus clubes, mas ainda pouco decisivos na Seleção.
Pode ser que seja o momento de termos um sistema que equilibre e fortaleça o coletivo.
Menos exposição.
Mais organização.
Menos expectativa.
Mais execução.
Menos técnica isolada.
Mais força e competitividade.
Copa do Mundo não perdoa desequilíbrio.
O hexa não virá pela tradição.
Virá pela capacidade de competir.
De saber sofrer.
De entender o jogo.
De decidir e ser letal contra seleções mais bem preparadas.
A Seleção precisa deixar de ser “Brasa” e ser BRASIL. Precisa jogar o jogo que a competição exige.
Não se trata de abrir mão do talento.
Talento, neste momento, é ter inteligência.
Talento é entender nossas limitações.
Talento é ter coragem de competir de forma diferente das nossas características.
Talento é escolher os melhores jogadores, independentemente de onde atuam.
Eu acredito no HEXA.
Acredito na força das lideranças que temos fora de campo.
Acredito na organização e na condução profissional.
Acredito na competência e no potencial de cada atleta individualmente.
Acredito na “Lei do Merecimento”.
Tenho convicção de que, com equilíbrio e um sistema bem definido, o futebol se encarrega de encontrar seus protagonistas.
Nem sempre os mais óbvios, mas sempre os iluminados.
Copa do Mundo não revela apenas talentos, revela momentos e contextos.
Pra frente, BRASILLLLLL 🇧🇷
Fábio Mello | JS Business
- Pós-graduado em Administração e Marketing Esportivo
- Agente FIFA/CBF
- Ex-jogador de futebol profissional
- Idealizador do curso: Uma visão global sobre gestão de clubes, negócios e carreiras, em parceria com a ESPM
- Autor do livro Jogando de Terno – Dos Campos para os Negócios
- Colunista do Jornal dos Sports

