Opinião do especialista: Liga única no futebol

Redação

abril 7, 2026

Por Luís Fernando Pessôa

Vamos aumentar o tamanho da “pizza” antes de discutir a divisão dos pedaços

A construção de uma liga única no futebol brasileiro deve ser tratada, antes de tudo, sob a ótica de produto. Em um ambiente global cada vez mais competitivo, o futebol deixou de ser apenas uma manifestação esportiva para se consolidar como uma indústria de entretenimento, onde governança, modelo de comercialização e clareza estratégica são determinantes para geração de valor.


Ao observar referências internacionais, fica evidente que ligas bem estruturada conseguem capturar valor não apenas pela qualidade técnica dentro de campo, mas pela organização institucional fora dele. Direitos de transmissão centralizados, padronização de ativos comerciais, previsibilidade de calendário e regras claras de governança são elementos que transformam o campeonato em um produto único, mais atrativo e escalável para o mercado.


No contexto brasileiro, a discussão sobre a formação de uma liga precisa, ultrapassar interesses individuais. A fragmentação atual reduz o poder de negociação, gera ineficiências e limita o potencial de crescimento. A experiência recente mostra que qualquer modelo só será efetivo se houver reconhecimento coletivo de que o valor está na consolidação e não na disputa isolada por receitas.


Temos uma oportunidade concreta de reposicionar o futebol brasileiro. Para isso, será fundamental estabelecer três pilares: consolidação e valorização do produto, definição objetiva de critérios de tomada de decisão e delimitação precisa de competências entre clubes.
Mais do que uma mudança estrutural, trata-se de uma mudança de mentalidade, feitas de forma associativa e compromisso coletivo. O desafio não está apenas em formalizar uma liga, mas em garantir sua legitimidade..


Em última análise, o sucesso dessa agenda dependerá menos do desenho jurídico e mais da capacidade dos agentes de mercado de enxergar o futebol como um ativo integrado.