Com a MP de veto às bets, o que acontece com os R$ 1,63 bilhão que as bets destinaram ao esporte olímpico em 2025?

Redação

setembro 29, 2026

O veto às bets abre uma nova frente de preocupação para o esporte brasileiro. Enquanto boa parte do debate está concentrada no impacto sobre o futebol, as consequências também podem atingir diretamente o financiamento do esporte olímpico e paralímpico.

Em 2025, as empresas de apostas destinaram R$ 1,63 bilhão ao esporte olímpico. Desse montante, R$ 99,4 milhões foram direcionados ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB), enquanto R$ 58,7 milhões chegaram ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Além disso, outros recursos foram destinados a clubes, confederações, esporte escolar e universitário e secretarias estaduais. Dessa forma, a discussão sobre as novas medidas envolvendo as bets ultrapassa os contratos de patrocínio dos grandes clubes de futebol.

Recursos das bets já preocupavam entidades esportivas

A preocupação com essa fonte de financiamento não começou com as novas medidas. Em agosto, atletas e entidades esportivas foram ao Congresso Nacional para defender a manutenção dos recursos provenientes das apostas.

Naquele momento, o debate estava relacionado à possibilidade de mudanças decorrentes da PEC da segurança pública. A preocupação era com eventuais alterações na destinação dos recursos e seus efeitos sobre o orçamento esportivo brasileiro.

A discussão ganhou importância também pelo momento do ciclo olímpico. Afinal, atletas, clubes, confederações e entidades estão em período de preparação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Los Angeles 2028.

Agora, porém, a discussão muda de dimensão. O debate deixa de ser apenas sobre qual parcela da arrecadação das apostas deve chegar ao esporte. A questão passa a envolver a própria continuidade de uma cadeia de financiamento que se consolidou após a regulamentação do setor.

COB e CPB receberam R$ 158,1 milhões em 2025

Somados, COB e CPB receberam R$ 158,1 milhões provenientes das empresas de apostas em 2025.

O COB ficou com R$ 99,4 milhões, enquanto o CPB recebeu R$ 58,7 milhões. O restante do R$ 1,63 bilhão destinado ao esporte foi distribuído entre outros segmentos, como clubes, confederações, esporte escolar e universitário e secretarias estaduais.

Os números ajudam a dimensionar a participação que o mercado regulado de apostas passou a ter no financiamento esportivo brasileiro em apenas um ano.

Com as novas medidas, entretanto, ainda é necessário esclarecer como ficará essa destinação e quais mecanismos poderão substituir uma eventual perda desses recursos. As informações fornecidas para esta matéria não detalham eventual compensação financeira destinada ao esporte olímpico.

Clubes também projetam perdas no esporte olímpico

Os efeitos não ficam restritos ao COB, CPB e às confederações. Clubes com tradição em modalidades olímpicas também utilizam recursos relacionados ao setor de apostas.

No Flamengo, por exemplo, a estimativa apresentada é de uma perda de aproximadamente R$ 20 milhões para o esporte olímpico rubro-negro.

O Fluminense também destina parte da verba de seu patrocínio máster ao esporte olímpico. Portanto, mudanças nos contratos com empresas do setor podem atingir modalidades que não têm relação direta com o futebol profissional.

Esse cenário evidencia como as bets passaram a ocupar diferentes espaços na economia do esporte. Além das destinações decorrentes da arrecadação do mercado regulado, existem contratos comerciais e patrocínios que ajudam a financiar clubes e suas modalidades.

Impacto pode chegar ao ciclo para Los Angeles 2028

A discussão ocorre durante o ciclo de preparação para Los Angeles 2028. Por isso, uma eventual interrupção dessas receitas pode exigir uma reorganização financeira de diferentes entidades esportivas.

O impacto exato, porém, dependerá da aplicação das novas medidas e da forma como ficará o financiamento atualmente associado às empresas de apostas. Com os dados disponíveis, ainda não é possível determinar quanto dos R$ 1,63 bilhão deixará efetivamente de chegar ao esporte.

Também não foram fornecidas informações sobre mecanismos de compensação ou novas fontes de receita capazes de substituir esses valores.

O cenário amplia uma discussão que já estava em andamento no esporte brasileiro: como garantir previsibilidade de financiamento para atletas, clubes, confederações e comitês durante um ciclo olímpico.

Com o novo contexto envolvendo as bets, a questão deixa de ser apenas quanto o setor deve repassar ao esporte. Passa a ser também como substituir uma fonte que ganhou peso relevante no financiamento esportivo brasileiro.