A entrada do mercado de capitais no futebol brasileiro se consolida com o fenômeno das SAFs. O caso do Club de Regatas Vasco da Gama ilustra os riscos e aprendizados desse processo: após a venda para a 777 Partners, problemas financeiros do investidor levaram à retomada do controle pelo associativo, evidenciando que governança, capacidade financeira e estrutura contratual são fatores críticos para a sustentabilidade do modelo. Além disso, a precificação do clube, na negociação, não levou em consideração o seu valor de marca- Brand equitye a fidelidade de seus torcedores/consumidores que geram valores consideráveis nos seus balanços, com potencial de margem de crescimento a partir de mais investimentos.

Por outro lado, o Fluminense Football Club aponta para um modelo mais alinhado às práticas do mercado de capitais. Com apoio de estruturadores, como bancos de investimentos e advisors especializados, o clube tende a desenhar uma SAF baseada em um pool de investidores, com capital pulverizado, governança estruturada e processos típicos de M&A.
Entre erros e evolução, o futebol brasileiro começa a migrar de um modelo dependente de um investidor único ou associativo para estruturas mais sofisticadas e institucionais. Nesse contexto, o mercado de capitais deixa de ser apenas uma alternativa de financiamento e passa a ser um vetor central de transformação, profissionalização e sustentabilidade da indústria do futebol. Um bom exemplo é a adoção de práticas como “Know Your Client” (KYC), exigido pela Comissão de Valores Mobiliários. Este processo passa pela identificação e verificação do potencial investidor para garantir conformidade regulatória, prevenir fraudes e lavagem de dinheiro, e assegurar maior transparência e segurança nas operações do mercado de capitais.
Em linha com a evolução observada em outros setores da economia, o futebol brasileiro caminha para um ambiente mais eficiente e competitivo de financiamento, ao mesmo tempo em que amplia a autonomia e as alternativas de retorno para investidores. Com governança estruturada e aderência às normas da Comissão de Valores Mobiliários, esse novo modelo abre espaço para um avanço relevante: a inclusão dos próprios torcedores como investidores, seja por meio de fundos de investimento ou plataformas de crowdfunding. Trata-se de uma mudança estrutural que fortalece o engajamento, eleva os padrões de transparência e cria novas fontes de capital, consolidando o mercado de capitais como protagonista na transformação e sustentabilidade do futebol brasileiro.
Outro grande benefício para o setor foi a criação do fairplay financeiro pela Confederação Brasileira de Futebol, abrindo uma agência dedicada à implementação, o que fortalece a sustentabilidade dos clubes ao impor disciplina financeira, elevar a governança e promover um ambiente mais equilibrado e confiável para investimentos no futebol.
No final, a resposta para a pergunta que abre esse artigo, quem ganha este clássico?
É o próprio futebol brasileiro.
Luis Fernando Pessoa
CEO da InvestFut

