Um dos maiores fenômenos da internet, Matheus Costa é, também, um torcedor otimista do Botafogo. Em entrevista ao Jornal dos Sports, ele e seu pai, o lendário Seu Zé, contaram como surgiu o amor pelo Glorioso, perrengues que passaram para acompanhar o time de coração, seus ídolos alvinegros e o momento atual com John Textor.
Amor pelo Botafogo
MATHEUS COSTA: Meu amor pelo Botafogo, obviamente, surgiu pelo meu pai, que influenciou todos lá de casa a virarem botafoguenses. Até minha mãe que torcia para outro time virou botafoguense. Quando nasci, já tinha berço e camisa do Botafogo. Foi meio que por osmose. Já cresci vendo os jogos, ele me levou para entrar em campo com o time no Caio Martins. Ali, me encantei pelo time, apesar de a fase não ser muito boa. Vi Dodô, Jorge Henrique, Loco Abreu…
SEU ZÉ: No Botafogo, nós brincamos dizendo que não escolhemos, somos escolhidos. E comigo foi um pouco assim. Meu pai não ligava para futebol, e eu era o irmão mais velho. Com seis anos, fui levado ao Maracanã por um amigo do meu pai. O jogo era Botafogo x Fluminense e nós perdemos por 3 a 1. Quem explica um garoto sair dali amando o time que tinha perdido? É inexplicável, a certeza de que algo realmente acontece e nós somos escolhidos. Dali, meus cinco irmãos, por referência minha, acabaram botafoguenses, como são até hoje, 64 anos depois. Os filhos acabam seguindo os pais, minha mulher também virou Botafogo e os filhos a gente vai tentando passar o nosso amor desde pequeno. Confesso que a gente, os pais, têm algumas táticas: compra roupinha para o bebê e fotografa, depois diz que colocou várias e eles escolheram aquela (risos). A verdade é que existem poucos momentos família quanto torcerem juntos e eventualmente comemorarem juntos.

Momentos inusitados
M.C.: Um perrengue chique que passamos pelo Botafogo foi quando cobrimos pela CazéTV e estávamos com a passagem de volta comprada para depois da fase de grupos (pela Copa do Mundo de Clubes). Pelas estatísticas, ninguém acreditava que o Botafogo ia passar. A volta estava prevista para o dia 25 e dia 26 tinha compromisso no Rio. Só que o Botafogo passou de fase. Cheguei no Rio de manhã após um voo Los Angeles/SãoPaulo/Rio, virado, gravei o que tinha que gravar e, à noite, voltei para Filadélfia. Eu e ele fizemos um bate-volta intercontinental: América do Norte e América do Sul.

Ídolos
M.C.: Garrincha é o maior ídolo histórico, muitos comparam até ao Pelé. E o Nilton Santos, claro. Mas, para mim, o Jefferson. Jogou a Série B, foi convocado para seleção e nunca saiu do Botafogo.
S.Z.: O Botafogo tem tantos ídolos, mas para mim um está em outro patamar. Nilton Santos não foi apenas um excepcional jogador como a sua história revela, Nilton Santos foi amor ao Botafogo, e talvez responsável também pelo Garrincha ter sido o que foi, pois sempre o tratou como irmão mais velho e todos sabemos que o Garrincha não era fácil (risos). Nunca ficou rico com o futebol e tenho lembranças maravilhosas dele. Eu estudava no Colégio Pedro II, em Botafogo, e o Nilton Santos, já aposentado, tinha uma loja de esportes perto do colégio. Foram numerosas vezes que eu “matei” aula para ouvir histórias dele de futebol que tinha prazer em contar. Nilton Santos para mim é o maior jogador e pessoa de todos os tempos. Nada mais justo do que um estádio com o seu nome e precisamos sempre divulgar a vida desse imenso botafoguense para as novas gerações.
Fase com John Textor
M.C: O atual momento não é dos melhores. Apesar de termos um time muito bom, há esse impasse jurídico e financeiro. Mas eu, Matheus, tenho total confiança no Textor. Sou eternamente agradecido pelo título do Brasileirão, Libertadores inédita. Pegou o clube quase fechando e deu para os botafoguenses uma nova vida com momentos que nunca vou esquecer. O que vier, veio. Ele tem crédito. Não é todo ano que vamos ser campeões. Torço para que a gente continue com o Textor, porque ele ama e faz pelo clube.
Emoção
S.Z.: Tenho certeza de que a Libertadores na qual estávamos juntos no estádio será sem dúvida uma memória eterna de amor entre a gente e o clube. Sintetizando, fui escolhido, e o Matheus escolheu a mim, ao irmão e ao Botafogo. Hoje em dia o Matheus é que me leva para os jogos, sejam eles aqui ou os presentes que ele nos proporcionou na Libertadores e recentemente na Copa do Mundo de Clubes. Chupa, PSG! Botafogo é o mais tradicional, ninguém ama como a gente.


