A vitória de Kimi Antonelli no Canadá, no último domingo, confirmou algo que a Fórmula 1 já começa a entender: o garoto não é apenas promessa. Ele já corre como protagonista.
Mas o ponto mais interessante do fim de semana talvez não tenha sido só a vitória. Foi a forma como Antonelli encarou George Russell, seu companheiro de Mercedes, em disputas diretas e duríssimas. No sprint de sábado, os dois chegaram ao limite. Antonelli tentou passar por fora na curva 1, Russell espalhou o carro, houve contato leve, e o italiano acabou sem espaço. Depois, numa nova tentativa, Antonelli escapou pela grama e ainda perdeu posição para Lando Norris. Pelo rádio, reclamou que Russell o havia jogado para fora da pista, chamando a manobra de “muito malandra”.

A direção de prova não puniu Russell, e Toto Wolff mandou Antonelli parar de reclamar e seguir pilotando. Mas a mensagem estava dada: Antonelli não aceita papel secundário dentro da Mercedes.
No domingo, o destino foi cruel com Russell, que abandonou quando liderava por problema na unidade de potência. Antonelli aproveitou, venceu e ampliou sua liderança no campeonato.
A Mercedes, portanto, tem um problema bom — mas perigoso. Tem dois pilotos rápidos, ambiciosos e dispostos a medir forças roda a roda. A diferença é que Antonelli, aos 19 anos, parece correr sem pedir licença. Ele ataca, reclama, pressiona e vence.
No Canadá, Kimi Antonelli ganhou mais do que uma corrida. Ganhou autoridade. E deixou claro para Russell: dentro da Mercedes, ninguém será tratado como dono da casa.
Sou Carlos Rocha, piloto e analista de corridas, direto da redação do JORNAL DOS SPORTS.

