A poucos dias do início da Copa do Mundo, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, concedeu uma aguardada entrevista coletiva na Cidade do México. Embora tenha pedido que os jornalistas focassem no futebol, temas políticos e diplomáticos acabaram dominando a conversa. Entre os assuntos mais debatidos estiveram a situação do Irã no torneio e o caso do árbitro somali que teve sua entrada negada nos Estados Unidos.
Além disso, Infantino precisou responder a questionamentos sobre vistos, segurança internacional e os desafios enfrentados pela entidade na organização de uma Copa do Mundo marcada por tensões geopolíticas.

“Não somos os reis do Mundo”, disse Infantino
Um dos principais temas abordados foi o caso do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. O profissional foi impedido de entrar nos Estados Unidos por autoridades de imigração e precisou retornar à Turquia, local de origem de seu voo.
Durante a coletiva, Infantino lamentou o episódio. No entanto, ressaltou que a Fifa não possui autoridade para determinar decisões governamentais relacionadas à imigração e à segurança nacional.
Segundo o dirigente, a entidade trabalha constantemente para solucionar problemas dessa natureza. Entretanto, ele destacou que existem limites para a atuação da organização esportiva.
O presidente da Fifa afirmou que o objetivo da entidade continua sendo promover a união entre os povos por meio do futebol. Além disso, pediu compreensão diante das dificuldades encontradas em um cenário internacional cada vez mais complexo.
“Queremos unir o mundo”, reforçou Infantino ao comentar as críticas recebidas pela organização durante os preparativos para o Mundial.

Infantino pede foco no futebol, mas Irã e árbitro barrado dominam entrevista da Fifa
Outro assunto que ganhou destaque foi a participação do Irã na Copa do Mundo. Nos últimos meses, o país enfrentou ameaças de boicote, dificuldades para obtenção de vistos e incertezas relacionadas à sua presença no torneio.
Apesar disso, Infantino demonstrou confiança desde o início do processo. O dirigente relembrou visitas realizadas à delegação iraniana na Turquia e na Itália. Além disso, destacou que havia prometido que a seleção conseguiria disputar a competição.
Nos últimos dias, os jogadores receberam autorização para entrar nos Estados Unidos. Contudo, membros da comissão técnica continuaram enfrentando obstáculos burocráticos, segundo denúncias apresentadas pela representação diplomática iraniana.
Por causa da demora na liberação dos documentos, a equipe precisou alterar todo o planejamento para a preparação da Copa. Inicialmente, a Fifa havia destinado um centro de treinamento em Tucson, no estado do Arizona. Entretanto, os problemas relacionados aos vistos obrigaram a mudança da base para Tijuana, no México.
De acordo com Infantino, situações desse tipo exigem equilíbrio entre a organização esportiva e as decisões soberanas dos governos. Por isso, ele defendeu que a realidade política mundial deve ser considerada durante a realização de eventos internacionais.
O dirigente também utilizou um exemplo futuro para ilustrar sua posição. Segundo ele, seria improvável que a Fifa pudesse determinar ao governo britânico quais pessoas deveriam ou não entrar no país durante uma futura Copa do Mundo Feminina.
Além disso, o presidente destacou que a segurança continua sendo prioridade absoluta para os organizadores. Dessa forma, a entidade busca soluções nos bastidores enquanto respeita as legislações nacionais.
Por fim, Infantino voltou a pedir confiança no trabalho realizado pela Fifa. Segundo ele, muitas negociações acontecem longe dos holofotes e nem sempre podem ser divulgadas publicamente. Ainda assim, o dirigente afirmou que a organização segue empenhada em resolver pendências e garantir que todas as seleções possam participar da competição.
Enquanto isso, a expectativa cresce para o início da Copa do Mundo. A abertura acontece nesta quinta-feira, no tradicional Estádio Azteca, com o confronto entre México e África do Sul pelo Grupo A. Posteriormente, Coreia do Sul e República Tcheca completam a primeira rodada da chave, marcando oficialmente o início de mais uma edição do maior torneio de futebol do planeta.

