Entre a essência e a indústria
De Renato Gaúcho e Romário à visão de César Graffietti e Rodrigo Capelo, o futebol brasileiro vive o desafio de unir identidade e sustentabilidade.
Nos últimos anos, tenho me dedicado a estudar e compreender o futebol sob diferentes perspectivas.
Recentemente, assisti a duas entrevistas que, embora sejam conteúdos completamente distintos, ajudam a explicar a essência, o momento e o futuro do futebol brasileiro.
De um lado, a essência.
A entrevista de Renato Gaúcho no podcast conduzido por Romário. Dois ídolos que representam a alma do futebol brasileiro: a arte, a irreverência, a autoestima e a capacidade de transformar talento em identidade. É o futebol que encanta o Brasil. Que mobiliza multidões.
Do outro, a estrutura. O futebol como negócio.
No Sport Insider, Rodrigo Capelo entrevista César Graffietti, dois dos principais nomes quando o assunto é a indústria do futebol. Um olhar que amplia o jogo para além das quatro linhas: números, gestão, sustentabilidade e visão estratégica.

São visões diferentes.
Mas não opostas.
O futebol brasileiro vive hoje um ponto de tensão entre o que construiu sua identidade e o que precisa garantir sua sustentabilidade.
Os ídolos, como Romário e Renato Gaúcho, representam o jogo. O futebol arte. A forma como o Brasil foi reconhecido pelo mundo. E isso precisa ser resgatado com urgência.
A gestão e a análise, representadas por Rodrigo Capelo e César Graffietti, apontam o caminho para o futuro. Nosso futebol precisa, cada vez mais, ouvi-los.
Pedro Daniel, outro importante profissional da indústria, após anos de carreira com atuação consolidada em empresas como BDO e Ernst & Young, aceitou o convite para assumir a posição de CEO do Atlético Mineiro, um dos principais clubes do futebol brasileiro.
O futebol brasileiro não precisa escolher entre essência e indústria. Precisa aprender a conviver com as duas.
Sem gestão, não há continuidade.
Sem identidade, não há conexão.
O futuro do futebol brasileiro não está em um lado.
Está no equilíbrio.
Preservando essência sem abrir mão da evolução.
Profissionalizando sem perder identidade.
Entendendo que a paixão move o jogo e que a gestão sustenta o processo.
Equilíbrio se constrói com processos mais claros, com decisões menos impulsivas e com investimento melhor direcionado. Não apenas em atletas, mas em estrutura, formação e gestão.
Profissionalizar não é afastar a essência. É protegê-la.
Porque, no fim, não se trata apenas de vencer.
Trata-se de saber quem queremos ser.
Fábio Mello | JS Business
- Ex-jogador profissional
- Pós-graduado em Administração e Marketing Esportivo
- Agente FIFA/CBF
- Idealizador do curso Uma visão global sobre gestão de clubes, negócios e carreiras, em parceria com a ESPM
- Autor do livro Jogando de Terno – Dos Campos para os Negócios
- Colunista do Jornal dos Sports

