A constituição de um conselho independente e profissional nas SAFs não deve ser encarada apenas como uma exigência legal, mas como uma oportunidade de elevar o padrão de gestão do futebol brasileiro. Governança é, acima de tudo, confiança: demonstra aos investidores que o clube possui estrutura decisória, transparência, responsabilidade e compromisso com resultados sustentáveis.
A criação de um conselho executivo, com competências claramente definidas e atuação integrada à diretoria executiva, pode contribuir para transformar a estratégia em ação. Seu papel seria acompanhar projetos, estabelecer prioridades, avaliar indicadores de desempenho e garantir que as decisões do presente estejam alinhadas aos objetivos de longo prazo, sem comprometer a agilidade e a autonomia da gestão executiva.

A experiência de diferentes setores da economia demonstra que organizações que criam espaços de participação efetiva, compartilham responsabilidades e mobilizam seus principais atores em torno de um projeto comum tendem a construir maior comprometimento e melhores condições para alcançar resultados. Quando as pessoas participam das decisões, compreendem os objetivos e assumem responsabilidades, deixam de ser apenas executoras para se tornarem protagonistas da transformação.
No futebol, essa lógica é ainda mais relevante. Uma SAF precisa conciliar a paixão da torcida, a identidade do clube, a competência da diretoria e as expectativas dos investidores. Isso exige uma gestão capaz de equilibrar resultados esportivos e financeiros, respeitando o planejamento estratégico e evitando que decisões imediatistas comprometam a sustentabilidade do negócio.
O conselho, portanto, pode ser muito mais do que uma estrutura criada para cumprir uma obrigação legal. Quando bem concebido, torna-se um instrumento de gestão, alinhamento estratégico e geração de valor, fortalecendo a confiança dos investidores e criando as bases para um clube mais profissional, competitivo e sustentável.
