No dia 21 de setembro, Dia do Adolescente, vale olhar para o futebol de formação para além da descoberta de talentos. Cada menino e cada menina que entra em uma categoria de base carrega o sonho de chegar ao profissional, mas também carrega uma vida que continuará existindo caso esse sonho não se realize. Por isso, formar não pode significar apenas desenvolver técnica, físico e performance. É preciso formar, integralmente, corpo, mente, inteligência, emoções, valores e capacidade de convivência. O jogador pode ser o objetivo esportivo, mas o ser humano precisa ser o objetivo maior.

Uma base verdadeiramente estruturada deve preparar o jovem para os dois caminhos: a possibilidade de viver do futebol e a certeza de que a vida continuará além dele. Educação, desenvolvimento cognitivo, saúde mental, disciplina, liderança, relacionamento, tomada de decisão e responsabilidade social não são elementos periféricos; são parte da formação de um atleta e, principalmente, de um cidadão. Nem todo jovem da base chegará ao futebol profissional. E isso não pode transformar sua passagem pelo clube em uma história de fracasso. Se ele sair mais preparado para a vida, o clube também terá cumprido sua missão.
O futebol brasileiro tem um patrimônio extraordinário em seus jovens talentos. Transformar esse patrimônio em legado exige uma mudança de olhar. Antes de formar jogadores para o futebol, é preciso formar pessoas para a sociedade. O futebol pode ser o meio, uma profissão, uma paixão e até uma oportunidade de transformação econômica. Mas não pode ser o único destino possível. Porque, no fim, a maior vitória de uma categoria de base não deveria ser apenas revelar um craque. Deveria ser garantir que cada jovem, com ou sem sucesso dentro de campo, tenha condições de ser protagonista de uma vida de sucesso fora dele.
