No dia 5 de novembro, quando celebramos o Dia Nacional da Cultura, é oportuno levar ao debate uma reflexão que precisa ganhar espaço na gestão do futebol brasileiro: qual é o papel dos clubes, das cidades e dos estados na formação cultural e social de seus jovens?
O futebol é muito mais do que uma modalidade esportiva ou uma atividade econômica. É uma das maiores expressões da identidade cultural do país, capaz de conectar gerações, comunidades, histórias e territórios. Ainda assim, exploramos pouco o potencial dessa conexão. Quando integrada ao futebol, a cultura amplia horizontes, fortalece o sentimento de pertencimento e oferece aos jovens oportunidades de educação, conhecimento, cidadania e desenvolvimento humano.
Precisamos avançar para um modelo de gestão que aproxime o futebol das políticas públicas de cultura, educação e desenvolvimento social. Clubes, escolas, universidades, museus, centros culturais, empresas e governos podem construir projetos conjuntos que usem o esporte como plataforma de transformação. Imagine categorias de base integradas a programas de leitura, música, audiovisual, história, tecnologia, formação profissional e empreendedorismo. Imagine estádios e centros de treinamento funcionando também como espaços de convivência, aprendizagem e produção cultural.
Não se trata apenas de uma visão conceitual. Programas culturais que tenham o futebol como pano de fundo, alinhados ao desenvolvimento econômico local e humano, mostram na prática a importância de conectar prática esportiva, educação, pesquisa e inclusão social.
Há ainda uma dimensão econômica que a gestão não pode ignorar. Cultura e futebol movimentam uma cadeia produtiva ampla: turismo, gastronomia, música, moda, audiovisual, comércio local e economia criativa. O estádio que recebe uma feira cultural, o clube que preserva e valoriza sua memória, a cidade que transforma sua paixão esportiva em experiência turística estão, na prática, gerando renda, empregos e novas oportunidades. Para um mercado que busca diversificar receitas e fortalecer vínculos com suas comunidades, investir em cultura é também investir em sustentabilidade e valor de marca no longo prazo.
O desafio é transformar essa visão em estratégia permanente de gestão, com planejamento, parcerias institucionais, financiamento e metas de impacto social. O desenvolvimento de um clube ou de uma cidade não deve ser medido apenas por títulos, resultados esportivos ou receitas, mas também pela capacidade de formar cidadãos, gerar oportunidades e deixar um legado para as próximas gerações.
O futebol pode ser uma das maiores plataformas de desenvolvimento cultural e econômico de um território, contribuindo para uma sociedade mais preparada, inclusiva e igualitária. Afinal, cultura não é apenas patrimônio: é instrumento de transformação social e desenvolvimento de uma nação. E o futebol, quando assume essa responsabilidade, deixa de formar apenas atletas para ajudar a formar o futuro de uma sociedade.
Luís Fernando Pessoa é especialista em mercado de capitais e coordenador dos cursos executivos e de pós-graduação em Finanças no Futebol da CBF Academy.
