Estratégia de Risco: O plano ousado de Textor por trás do novo empréstimo milionário do Botafogo

Redação

fevereiro 11, 2026

O ambiente no Botafogo é de tensão e incerteza. A recente saída do CEO Thairo Arruda é apenas a ponta do iceberg de uma complexa engenharia financeira que John Textor está operando nos bastidores. Enquanto a torcida se preocupa com o Transfer Ban e reforços, o acionista majoritário da SAF costura um acordo que pode mudar a estrutura de poder do clube e da própria Eagle Football.

Aparentemente, os novos empréstimos chegaram para salvar o momento, mas uma análise profunda revela uma estratégia arriscada: juros impagáveis, garantia de receitas vitais e um plano final que envolve a entrega de ações da SAF.

O Custo do Alívio Imediato

Para levantar o Transfer Ban e manter a operação rodando, Textor recorreu a um aporte emergencial. Os números são pesados:

  • Aporte Inicial: US$ 20 milhões (aprox. R$ 104 milhões).
  • Projeção Total: O valor deve chegar a US$ 50 milhões (R$ 260 milhões) nos próximos meses.

No entanto, fontes ligadas à negociação confirmam que o dinheiro não sai barato. Os juros acordados são classificados como “extremamente altos”, beirando o impagável para os padrões normais de mercado. Como garantia, o Botafogo comprometeu receitas futuras de vendas de jogadores, o que pode estrangular o fluxo de caixa do clube a longo prazo.

A Estratégia: Não Pagar, mas Negociar

Por que aceitar juros tão abusivos? A resposta reside na estratégia de Textor, que não planeja quitar essa dívida com dinheiro.

O plano não é o calote, é a conversão.

A intenção de Textor não é devolver o montante acrescido dos juros astronômicos, mas sim pagar a dívida transformando-a em ações da SAF.

Os credores por trás dessa operação são a Hutton Capital e a GDA Luma. O perfil da GDA Luma chama a atenção: trata-se de um fundo especializado em “ativos podres” (distressed assets) e recuperação de crédito de instituições endividadas. O interesse deles não é apenas o lucro financeiro dos juros, mas assumir o controle acionário dentro do ecossistema da Eagle Football.

O Xadrez Global: Lyon, Ares e Iconic

Essa movimentação no Rio de Janeiro é, na verdade, um reflexo de uma guerra global pelo controle da Eagle Football Holdings.

Atualmente, Textor trava uma batalha judicial e corporativa com a Ares Management e a Iconic Sports, atuais sócios da Eagle, que cobram cerca de US$ 550 milhões (R$ 2,8 bilhões) e tentam afastar o norte-americano do comando.

A entrada da GDA Luma e da Hutton Capital serve a um propósito maior:

  1. Os novos investidores converteriam a dívida do Botafogo (e outras da holding) em ações.
  2. Eles se tornariam os novos parceiros estratégicos, injetando capital para negociar a saída da Ares e da Iconic.
  3. O objetivo final seria consolidar o controle da Eagle e trazer o Olympique Lyonnais (Lyon) de volta para o centro do projeto com estabilidade.

A “Pílula de Veneno”: Textor se Blinda no Cargo

No mercado financeiro, existe um conceito chamado “poison pill” (pílula de veneno), uma tática defensiva usada por empresas para desencorajar aquisições hostis. O empréstimo contraído pelo Botafogo funciona exatamente assim.

Ao aceitar uma dívida com juros impagáveis que cresce exponencialmente, Textor cria uma armadilha para qualquer um que tente tirá-lo do comando.

  • O Cenário: Se a justiça ou os sócios atuais (Ares/Iconic) afastarem Textor da gestão da SAF ou da Eagle, eles herdarão imediatamente uma dívida colossal e tóxica.
  • A Consequência: Sem a estratégia de conversão de ações desenhada por Textor com a GDA Luma, a dívida se torna uma bomba-relógio financeira impossível de ser paga com o caixa do clube.

Com esse movimento, John Textor torna-se, na prática, uma peça inegociável. Ele amarrou sua permanência à sobrevivência financeira do clube. Para o Botafogo, resta torcer para que essa ousada engenharia financeira termine em gol, e não em um passivo impagável.