Entrevista exclusiva: A trajetória internacional de Samarone Oliveira

Redação

fevereiro 6, 2026

Em um bate-papo revelador ao Jornal dos Sports, o treinador Samarone Oliveira detalhou sua experiência em sete países, os desafios da gestão de vestiário e sua visão sobre a atual formação de atletas no Brasil. Recém-saído da Licença A da CBF, onde dividiu sala com nomes como Filipe Luís e Fred, o técnico projetou seu futuro para 2026.

O futebol como passaporte cultural

Samarone destaca que sua carreira é marcada pela diversidade geográfica, algo que considera o ponto mais alto de sua trajetória profissional até aqui.

  “Só o futebol para me levar onde me levou. Tive a oportunidade de trabalhar em outros sete ou oito países. Se não fosse o futebol, provavelmente nem do Brasil eu teria saído. Graças ao futebol eu tive essa oportunidade de conhecer outras culturas, muitas pessoas.”

  “Acho que esse é o ponto mais positivo dessa curta carreira que tenho aqui por enquanto.”

O “Lado Sombrio” e a virada de chave

A transição para o futebol internacional aconteceu na Bolívia, momento em que Samarone percebeu a seriedade da profissão, enfrentando as dificuldades que o glamour da televisão esconde.

 “Minha primeira oportunidade foi na Bolívia. Eu não sabia falar nenhuma palavra de espanhol, nada. E ali foi quando eu vi que de fato a coisa estava acontecendo. Tive que aprender o idioma e ali sim foi a virada de chave.”

  “O futebol é prazeroso, mas ele tem o seu lado sombrio que às vezes assusta para quem não está acostumado, para quem não tem o estômago forte.”

Diferenças culturais e a formação robotizada

O treinador analisou a diferença técnica entre o jogador brasileiro e o estrangeiro, criticando a forma como as categorias de base estão sendo conduzidas atualmente, priorizando números em vez de talento.

 “Aqui no Brasil, geralmente quando o garoto nasce, ele praticamente já ganha uma bola de presente. Em outros países não, às vezes o cara decide jogar bola já velho. Como você vai ensinar uma pessoa de 20 e poucos anos a chutar uma bola?”

“As pessoas se preocupam com o número, não se preocupam em formação, na evolução do atleta. Hoje um moleque desse já é trabalhado para ganhar, ganhar, ganhar. Aí quando chega no profissional, o cara é todo robotizado.”

 “Eu com 11 anos estava na rua jogando bola, arrancando tampão do dedo… Hoje as crianças de 11 anos estão dentro do clube fazendo um trabalho físico pesado visando um jogo do final de semana.”

Gestão de grupo: A chave do sucesso

Para Samarone, a tática é secundária se o treinador não souber gerir as diferentes personalidades e nacionalidades dentro de um vestiário.

 “Não adianta você ser muito bom técnico e se for um zero à esquerda como gestor você está ferrado. Se não souber gerir, os caras fazem sua cama e já era, você cai rápido.”

“Tive uma dificuldade com um atleta paraguaio… Chamei ele na resenha: ‘Vamos tomar um chope comigo, vamos ver qual o seu problema comigo’. Trouxe ele para o meu lado e, no final das contas, ele acabou me ajudando mais do que me atrapalhando.”

Experiência no México e o “efeito 1970”

O treinador revelou uma identificação profunda com o México, onde o brasileiro ainda é tratado com reverência devido ao histórico da Copa do Mundo de 70.

 “Os mexicanos são apaixonados pela gente, é surreal o trato que eles dão a nós brasileiros. Eu saía para fazer um lanche e eles não deixavam pagar. O motivo disso é justamente a Copa de 70.”

 “O México tem muito potencial de jogadores, existem muitos clubes e ligas. É um lugar bem bacana para desenvolver um trabalho.”

Convivência com craques na licença da CBF

Recentemente, Samarone concluiu o curso de treinadores da CBF ao lado de grandes ídolos do futebol nacional.

“Tava Filipe Luís, Fred, Jonathan, Leandrão, Henrique… Rapaziada que jogou alto nível. O Fred é humano demais, um fenômeno como pessoa. O Filipe Luís é um cara mais fechado, mas mega inteligente, entendedor de futebol.”

Planos para o futuro: Seleção e estabilidade

Ao ser questionado sobre seus sonhos, o técnico não escondeu a ambição de comandar uma equipe nacional e retribuir o apoio da família.

 “Meu maior objetivo é dirigir… Tenho o desejo de um dia dirigir uma seleção. Se não for a brasileira, se for a de qualquer outro país, já me sinto realizado.”

“Estou buscando chegar num clube onde ele vai me dar estabilidade financeira para poder de fato ajudar essas pessoas todas que me ajudaram nesse caminho até aqui.”

Confira a entrevista exclusiva abaixo: