Às portas da Copa do Mundo de 2026, quando se espera de suas principais estrelas não apenas desempenho técnico, mas também liderança e equilíbrio, Neymar volta a ocupar o centro de uma polêmica que vai além das quatro linhas. No jogo contra o Remo, o camisa 10 mostrou mais uma vez sua capacidade decisiva ao dar o passe para o gol da vitória. No entanto, o roteiro positivo foi interrompido por um velho conhecido: a controvérsia.
O atacante recebeu um cartão amarelo considerado evitável — daqueles que pouco acrescentam ao jogo e muito custam ao time. O resultado prático é sua suspensão para o confronto contra o Flamengo neste fim de semana, um dos mais aguardados da rodada. Em um calendário apertado e com a cobrança crescente por regularidade, a ausência pesa não apenas taticamente, mas simbolicamente.

Se o episódio em campo já seria suficiente para gerar críticas, a entrevista após o apito final ampliou o desgaste. Ao comentar a arbitragem, Neymar afirmou que o juiz “acordou de Chico”, expressão que rapidamente foi apontada por muitos como machista. A fala repercutiu mal nas redes sociais e entre comentaristas, reabrindo discussões sobre postura, responsabilidade e a influência de figuras públicas no esporte.
Não é a primeira vez que o jogador se vê dividido entre o talento inquestionável e atitudes que geram ruído. O que preocupa, especialmente em ano pré-Copa, é a repetição do padrão. Em vez de liderar pelo exemplo e blindar o ambiente ao seu redor, Neymar acaba, mais uma vez, desviando o foco para fora do jogo.
A seleção brasileira, em processo de afirmação e cobrança por resultados consistentes, observa atentamente. Em um cenário internacional cada vez mais competitivo, detalhes fazem diferença — e isso inclui disciplina, comunicação e maturidade.
Entre assistências geniais e declarações infelizes, Neymar segue sendo protagonista. Resta saber se, até 2026, conseguirá transformar esse protagonismo em algo que una, e não divida, dentro e fora de campo.

