Campus Virtual ATFA afirma que formação oficial dura 38 meses, nega vínculo com o ex-jogador argentino e contesta documentos oferecidos por US$ 20 mil.
O Campus Virtual ATFA divulgou, em 17 de outubro, uma nota oficial para esclarecer as regras de formação de treinadores e se posicionar sobre o caso envolvendo o ex-jogador argentino Alejandro Mancuso. Segundo reportagens do UOL, ele teria oferecido a jogadores e ex-jogadores um pacote com quatro licenças de treinador por US$ 20 mil, aproximadamente R$ 100 mil.
De acordo com as investigações jornalísticas publicadas desde o início de outubro, o pacote incluía documentos apresentados como as licenças C, B, A e PRO da Asociación de Técnicos del Fútbol Argentino (ATFA), além de credencial e diploma. O material seria entregue pelo correio em até dez dias.
Entretanto, a entidade informou ao UOL que os documentos eram falsos e que Mancuso não possuía vínculo com a instituição. Em resposta, o Campus Virtual ATFA reforçou que a obtenção das quatro licenças exige 38 meses de formação, com aulas, avaliações e provas obrigatórias.
Além disso, a coordenação brasileira anunciou a adoção de medidas jurídicas nas esferas cível e criminal contra os responsáveis pelo uso indevido do nome da instituição e por afirmações que, segundo a nota, atingem sua reputação.
ATFA explica como funciona a formação oficial de treinadores
Segundo o comunicado, a formação de treinadores da ATFA acontece por meio de escolas presenciais na Argentina e do Campus Virtual ATFA, única unidade da entidade autorizada a oferecer cursos online.
Enquanto as escolas presenciais recebem apenas residentes na Argentina, o Campus Virtual também atende alunos de outros países. Dessa forma, profissionais brasileiros interessados na formação devem realizar a inscrição pela plataforma oficial.
Os cursos são disponibilizados em espanhol, inglês e português. No Brasil, a coordenação das turmas em língua portuguesa está sob responsabilidade de Leonardo Jorge Samaja Alvarez, identificado no comunicado como único representante do Campus Virtual ATFA no país.
O percurso completo dura 38 meses e contempla quatro níveis sucessivos de certificação:
- Licença C
- Licença B
- Licença A
- Licença PRO
Durante esse período, os alunos precisam acompanhar as aulas, realizar atividades, cumprir avaliações e obter aprovação em cada etapa.
Além disso, a instituição esclarece que os pagamentos devem ocorrer exclusivamente pelos meios indicados no Campus Virtual ATFA.
“No Campus Virtual ATFA, não há licença sem curso nem prova”, afirma a nota.
Portanto, segundo a entidade, nenhum intermediário possui autorização para comercializar licenças ou receber pagamentos pela formação fora dos canais oficiais.

Mancuso teria oferecido quatro licenças por US$ 20 mil
As reportagens da jornalista Joanna de Assis, do UOL, revelaram que Alejandro Mancuso teria oferecido um pacote de documentos apresentados como licenças oficiais da ATFA.
Em áudio divulgado em 7 de outubro, o ex-jogador promete, segundo a reportagem, a entrega das quatro licenças em uma semana mediante pagamento integral de US$ 20 mil.
No entanto, a formação oficial exige mais de três anos de estudos, o que, segundo o Campus Virtual ATFA, torna impossível a obtenção regular das certificações no prazo anunciado.
O comunicado também afirma que os atletas apontados nas reportagens como compradores do pacote não realizaram inscrição, não acompanharam aulas e não pagaram mensalidades ao Campus Virtual.
Além disso, a coordenação brasileira sustenta que nenhum valor relacionado à negociação mencionada nas reportagens passou por seus canais financeiros.
A instituição ressalta, porém, que a apuração das responsabilidades individuais cabe às autoridades competentes.
Ex-jogador negou venda de licenças em entrevista
Após a repercussão das reportagens, Mancuso apresentou sua versão sobre o caso.
Em nota divulgada em 13 de outubro, ele reconheceu que não possuía cargo nem autorização para representar a ATFA, conforme registra o comunicado do Campus Virtual.
Posteriormente, em vídeo publicado pelo UOL no dia 14, o argentino negou a venda de licenças. No dia seguinte, o Charla Podcast divulgou seis trechos da conversa, apresentando as explicações do ex-jogador.
Segundo a nota do Campus Virtual ATFA, Mancuso afirmou que apenas facilitava contatos com pessoas ligadas ao processo de certificação.
Entretanto, a coordenação contestou essa justificativa e destacou que a emissão de licenças depende exclusivamente da conclusão regular dos cursos.
O comunicado também questiona declarações atribuídas ao argentino sobre supostos pagamentos realizados diretamente a representantes da federação.
De acordo com a instituição, as mensalidades são processadas somente pelos canais indicados no Campus Virtual ATFA, sem participação de intermediários externos.
Campus Virtual ATFA diferencia treinadores formados regularmente
Outro ponto destacado pela instituição envolve a situação dos profissionais brasileiros que concluíram os cursos oficiais.
Segundo o comunicado, existem treinadores do Brasil, incluindo ex-jogadores profissionais, que cumpriram todas as etapas da formação e receberam licenças autênticas.
Por isso, a coordenação considera importante diferenciar esses profissionais dos envolvidos nas negociações investigadas pelas reportagens.
A nota também menciona a apuração do UOL segundo a qual Mancuso teria utilizado nomes de jogadores e treinadores que não participaram das negociações para tentar convencer potenciais compradores.
Diante disso, o Campus Virtual ATFA repudia o uso indevido de nomes de profissionais e defende que os certificados sejam verificados individualmente.
Conforme a orientação apresentada, clubes, federações e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) podem solicitar à ATFA a confirmação da formação de um treinador, desde que tenham autorização do profissional.

Coordenação brasileira anuncia medidas nas esferas cível e criminal
A repercussão do caso também motivou providências jurídicas por parte da coordenação brasileira do Campus Virtual ATFA.
Segundo a nota, foram constituídos os advogados Eduardo Soares Posser, Rodolfo Roberto Prado e Rodrigo Rollemberg Cabral, do escritório Posser Prado Cabral Advogados.
A equipe jurídica deverá atuar na adoção das medidas cabíveis contra os responsáveis pelo uso indevido do nome da instituição e por afirmações consideradas prejudiciais ao Campus Virtual ATFA.
Além disso, a coordenação informou que colabora com a ATFA e com as autoridades na apuração dos fatos.
O comunicado, entretanto, não informa se alguma ação judicial já foi protocolada.
ATFA orienta clubes e treinadores sobre ofertas irregulares
Por fim, o Campus Virtual ATFA reforçou que profissionais residentes fora da Argentina devem contratar a formação exclusivamente pela plataforma oficial.
A instituição também orientou clubes, federações e treinadores a verificarem a autenticidade das certificações antes de reconhecê-las.
Segundo a coordenação, qualquer oferta de licenças fora dos procedimentos oficiais deve ser recusada e comunicada ao Campus Virtual ATFA.
O caso segue marcado pelas denúncias divulgadas pelo UOL, pelas negativas apresentadas por Mancuso e pelos esclarecimentos da instituição responsável pela formação online de treinadores.
