Eduardo Viana comandou a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro por mais de duas décadas e se tornou uma das figuras mais influentes e controversas dos bastidores do futebol do estado.
Há 20 anos, em 21 de agosto de 2006, morria Eduardo Viana, o Caixa D’Água, ex-presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ) e um dos dirigentes mais conhecidos da história do futebol carioca.
Naquele dia, Eduardo Augusto Viana da Silva tinha 67 anos e participava de uma reunião na sede da FERJ quando passou mal. Em seguida, sofreu quatro paradas cardíacas. Uma equipe médica o levou ao Hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão, já inconsciente. Às 18h50, os médicos confirmaram sua morte.
Caixa D’Água assumiu a presidência da FERJ em 1984 e permaneceu como principal figura da entidade até o ano de sua morte, apesar de períodos de afastamento. Assim, atravessou mais de duas décadas no centro das decisões do futebol do Rio de Janeiro.
Ao longo desse período, seu estilo, suas posições e as inúmeras disputas durante a gestão transformaram Eduardo Viana em uma figura de enorme influência. Por outro lado, diferentes episódios e conflitos também cercaram sua trajetória de controvérsias.

Eduardo Viana construiu trajetória acadêmica
Antes e durante sua atuação nos bastidores do futebol, Eduardo Viana também construiu uma extensa trajetória acadêmica. Nascido em Campos dos Goytacazes, em 28 de setembro de 1938, formou-se em História, Filosofia, Direito e Educação Física.
Além disso, concluiu mestrado em Antropologia pela Vanderbilt University e doutorado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Eduardo Viana também atuou como professor da Uerj e da Fundação Getulio Vargas (FGV). Nessas instituições, lecionou sociologia do esporte e gestão esportiva.
Ao mesmo tempo, aproximou sua atividade acadêmica do futebol por meio da produção intelectual. Entre suas obras estão “O poder no esporte” e “Implantação do futebol profissional no Estado do Rio de Janeiro”.
Já o apelido que o acompanharia durante praticamente toda a vida surgiu ainda na juventude. Aos 12 anos, no Liceu de Humanidades de Campos, Eduardo costumava ficar próximo aos bebedouros, localizados perto de uma caixa d’água, enquanto paquerava as meninas do colégio. Dessa forma, nasceu o apelido Caixa D’Água.

Caixa D’Água comandou a FERJ por mais de duas décadas
Foi no futebol, entretanto, que Eduardo Viana ganhou projeção nacional. Em 1984, Caixa D’Água assumiu a presidência da FERJ e, posteriormente, tornou-se uma das figuras centrais do futebol do Rio de Janeiro.
Durante sua longa passagem pela entidade, conviveu com diferentes gerações de presidentes de clubes, jogadores e treinadores. Além disso, exerceu forte influência nos rumos do Campeonato Carioca e do futebol estadual.
Entre suas posições, Caixa D’Água defendia campeonatos estaduais mais longos. Da mesma forma, posicionava-se contra a profissionalização da arbitragem.
No entanto, conflitos políticos e processos judiciais também marcaram sua permanência no poder.
Em outubro de 2004, suspeitas relacionadas à renda de jogos realizados no Maracanã levaram ao afastamento de Eduardo Viana da FERJ. Posteriormente, em agosto de 2005, ele retornou à presidência.
Em março de 2006, uma decisão judicial relacionada à violação do Estatuto do Torcedor provocou um novo afastamento. Contudo, três meses depois, em junho, Caixa D’Água retomou novamente o comando da Federação.
Ao longo desse período, Eduardo Viana também enfrentou acusações de formação de quadrilha, estelionato, fraude processual e falsidade ideológica. Além disso, autoridades o acusaram de envolvimento no desvio de R$ 866 mil da receita da venda de ingressos no Maracanã em 2003, por meio da emissão de recibos e notas fiscais fraudulentas.
Paralelamente, adversários políticos afirmavam que o dirigente favorecia o Americano, clube pelo qual nutria declarada paixão.

Relação com o Americano acompanhou Caixa D’Água
Natural de Campos dos Goytacazes, Eduardo Viana nunca escondeu sua ligação com o Americano Futebol Clube.
Essa relação continuou presente mesmo após sua morte. Como homenagem, o clube deu ao seu centro de treinamento o nome de CT Eduardo Augusto Viana da Silva. Além disso, parte da torcida do Americano ainda recorda Caixa D’Água como uma figura importante da história alvinegra.
Portanto, a trajetória de Eduardo Viana ultrapassou os limites da presidência da FERJ. Como professor, escritor e dirigente, participou durante décadas das estruturas políticas e administrativas do futebol do Rio de Janeiro.

Caixa D’Água morreu durante reunião na FERJ
Em 21 de agosto de 2006, Eduardo Viana estava justamente no ambiente que marcou boa parte de sua trajetória profissional.
Durante uma reunião na sede da FERJ, Caixa D’Água passou mal e sofreu quatro paradas cardíacas. Uma equipe o encaminhou ao Hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão. No entanto, o dirigente chegou inconsciente e não resistiu.
Às 18h50, os médicos confirmaram a morte de Eduardo Viana.
Duas décadas depois, seu nome continua ligado a um período marcante da administração do futebol carioca. Afinal, sua passagem pela FERJ reuniu poder, influência, embates políticos, decisões controversas e disputas judiciais.
Caixa D’Água despertou admiração em alguns setores e forte oposição em outros. Ainda assim, tornou-se um personagem impossível de ignorar na história do futebol do Rio de Janeiro.
Durante mais de 20 anos, falar dos bastidores do futebol carioca significava, inevitavelmente, falar de Eduardo Viana.
