Brasil sofre, vira contra o Japão e tira lições importantes para Ancelotti na Copa

Redação

junho 30, 2026

A Seleção Brasileira teve uma partida de tensão, erros, ajustes e superação diante de uma equipe japonesa extremamente defensiva. No entanto, mesmo depois de um primeiro tempo abaixo do esperado, o time encontrou caminhos na etapa final, virou o placar e garantiu a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo.

A vitória teve gols de Casemiro e Gabriel Martinelli. Além disso, teve uma atuação decisiva de Bruno Guimarães, que comandou o meio de campo e deu a assistência para o gol da virada. Portanto, o Brasil saiu de campo classificado, mas também saiu com alertas importantes para Carlo Ancelotti.

O primeiro tempo mostrou um Brasil com volume, porém sem profundidade. A equipe tinha a bola, rondava a área japonesa e tentava controlar o jogo. Ainda assim, criava pouco. O Japão, por outro lado, se fechava em uma linha defensiva de cinco jogadores e oferecia poucos espaços.

Nesse cenário, a estratégia de usar Douglas Santos e Danilo para dar amplitude não funcionou. Afinal, os laterais encontravam sempre uma defesa compacta, protegida e bem posicionada. Além disso, Vini Jr. e Rayan tiveram dificuldade para jogar de costas. Os dois são jogadores de velocidade, arrancada e enfrentamento. Portanto, quando receberam a bola pressionados e sem campo para atacar, perderam força.

O Brasil insistiu, mas não encontrou fluidez. A bola circulava, porém sem agressividade. Consequentemente, a Seleção ficou previsível. O Japão percebeu isso e passou a defender ainda mais perto da própria área.

Brasil sofre, vira contra o Japão e tira lições importantes para Ancelotti na Copa

O gol japonês nasceu de um erro brasileiro na transição. O que deveria ser um contra-ataque do Brasil virou uma oportunidade para o Japão. Danilo errou o passe na origem da jogada. No entanto, o lance não se explica apenas por esse erro.

Casemiro e Gabriel Magalhães deram liberdade demais para Kaishu Sano conduzir a bola. O meio-campista japonês avançou, ganhou espaço e finalizou. Assim, o Brasil foi castigado justamente em um momento no qual tentava acelerar a partida.

Depois do gol, o Japão adotou uma postura ainda mais defensiva. A equipe praticamente abriu mão de jogar. Recuou, protegeu a área e passou a apostar apenas na resistência. Foi uma postura covarde, mas compreensível dentro da lógica do jogo. O Japão tinha vantagem e decidiu se agarrar a ela.

A partir daí, o Brasil precisou de paciência, força mental e mudanças. E, nesse ponto, Ancelotti acertou.

No segundo tempo, a Seleção voltou diferente. Vini Jr. e Rayan passaram a jogar mais abertos. Endrick entrou por dentro. Bruno Guimarães e Matheus Cunha passaram a atuar por trás dos atacantes. Com isso, o Brasil ganhou presença, mobilidade e agressividade.

A virada começou a ser construída pelo domínio territorial. O Japão não conseguia mais sair. A cada perda de bola, o Brasil pressionava imediatamente. Além disso, as inversões de jogo passaram a funcionar melhor. Os cruzamentos aumentaram. A intensidade também.

A camisa era verde e amarela, mas a virada teve muito do estilo Real Madrid: cruzamentos, pressão pós-perda, insistência, transpiração e coragem até o fim.

O empate veio com Casemiro. O volante não tinha feito um bom primeiro tempo, mas apareceu em um momento decisivo. Depois, Martinelli entrou como meia no lugar de Matheus Cunha e marcou o gol da classificação. Foi uma vitória construída na marra, mas também com ajustes importantes.

O Japão já não conseguia respirar. A equipe ficou presa dentro da própria área. Portanto, a pressão brasileira virou questão de tempo. E o gol da virada confirmou a superioridade da Seleção na etapa final.

Brasil sofre, vira contra o Japão e tira lições importantes para Ancelotti na Copa

A partida deixou lições importantes para Ancelotti. A primeira delas é que o Brasil não pode depender apenas de volume ofensivo. Ter a bola não basta. É preciso criar vantagens, atacar espaços e colocar os jogadores nas funções certas.

Vini Jr. e Rayan não rendem bem quando recebem de costas para uma defesa fechada. Eles precisam de campo, profundidade e situações de um contra um. Portanto, quando o adversário joga com linha baixa, o Brasil precisa de mais aproximação, mais infiltração e mais presença entrelinhas.

Outra lição está no meio de campo. Bruno Guimarães foi o grande nome da partida. Ele controlou o ritmo, deu passes importantes e participou diretamente do gol da virada. Foi o dono do meio de campo. Além disso, mostrou personalidade em um jogo de pressão máxima.

Casemiro também merece destaque pelo poder de reação. Apesar do primeiro tempo ruim, apareceu em um momento decisivo. Porém, a equipe precisa evitar os espaços que ofereceu no lance do gol japonês. Contra adversários mais fortes, esse tipo de erro pode custar caro.

A possível lesão de Paquetá também preocupa. O meia pode virar baixa para o restante da Copa. É uma notícia triste para o jogador, principalmente pelo peso emocional de uma competição desse tamanho. Ainda assim, pelo momento técnico, talvez não seja um desfalque tão pesado para a Seleção. Paquetá não vinha jogando bem, enquanto Danilo Santos atravessa uma fase melhor.

O Brasil ainda precisa melhorar muito para pensar em título. A Seleção tem qualidade, elenco e camisa. No entanto, precisa ser mais constante. Precisa errar menos. Precisa transformar domínio em chances claras com mais frequência.

Agora, o próximo adversário será Costa do Marfim ou Noruega. Em teoria, são seleções que deixam mais espaços do que o Japão. Isso pode favorecer o estilo brasileiro, especialmente com jogadores rápidos pelos lados e atacantes capazes de atacar a última linha.

A partir de agora, cada detalhe pesa mais. Cada escolha de Ancelotti terá impacto direto. Cada erro pode mudar uma Copa. Porém, se o Brasil conseguir repetir a intensidade do segundo tempo e corrigir os problemas do primeiro, a Seleção pode crescer no momento certo.

A classificação veio com sofrimento. Ainda assim, veio com personalidade. E, em Copa do Mundo, sobreviver também é uma virtude.