Amigo leitor,
Hoje é dia 10 de maio e estamos em um intervalo de vários campeonatos: Fórmula 1 sem corrida, Stock Car parada, NASCAR Brasil parada… então decidi apresentar a você, que talvez ainda não conheça, uma opção acessível para realizar o sonho de se sentir piloto e viver essa experiência.
E, se você já conhece, vou mostrar como esse caminho vem ganhando força no Brasil e se tornando uma alternativa para quem tem pouca grana, mas muita vontade de acelerar e participar de corridas.
Você que gosta de carros e automobilismo certamente já se imaginou correndo pelo menos uma vez na vida, nem que tenha sido apenas em pensamento.
Agora eu lhe pergunto: por que não?
Você pode me dizer que não tem tempo, que é caro demais ou que seria necessário ter espaço para guardar carro, kart e equipamentos. E eu lhe responderia: sim, isso pode ser verdade… mas existe outro caminho.
Você sabia que hoje existem formas muito mais acessíveis para qualquer apaixonado pelo automobilismo sentir o cheiro do combustível, dos pneus, o calor do motor, sentar pertinho do chão, colocar um capacete, fechar a viseira e acelerar?
Sim, é emocionante. E existem maneiras de viver isso com valores que cabem no bolso de grande parte da população.

Quando comecei a correr de kart, em meados de 1996, eu nunca tinha ouvido falar nisso. Mas hoje essa modalidade não para de crescer e abrir portas para novos apaixonados pelo esporte: são os chamados karts rental, ou karts de aluguel.
O kart rental é uma opção relativamente barata e, por menos de R$ 300,00 — valor que varia conforme a região — você pode viver a experiência de ser piloto por um dia, colocando o capacete e disputando uma bateria em uma pista de verdade, contra outros competidores.
Como moro em Brasília, vou citar um exemplo local. Um dos kartódromos mais conhecidos da cidade é o Carrera Kart, localizado no Parque da Cidade, próximo à Asa Sul.
Hoje, uma bateria promocional por lá custa cerca de R$ 90,00. Isso mesmo: com 90 reais você vive a experiência completa de uma corrida de kart. E o melhor: não precisa levar nada, nem mesmo capacete, porque eles fornecem toda a estrutura básica.
Recentemente fui lá com minha filha, que queria muito correr comigo naquele lugar. E, como piloto, posso dizer a vocês: a sensação é muito parecida com a de um kartódromo profissional.
A grande diferença entre o kart profissional e o rental está nos bastidores: carregar equipamentos, montar kart, testar peças, mexer em motor, carburador… essa é a parte mais cansativa do esporte. Só quem ama muito automobilismo realmente gosta desse processo.
Mas a sensação de esperar as luzes apagarem para acelerar… essa é exatamente a mesma.
A adrenalina, a disputa por posições, a busca pela volta mais rápida: tudo isso continua ali.
O kart rental cresceu tanto no Brasil que hoje já existem campeonatos nacionais da modalidade. Muitos pilotos profissionais frequentam essas pistas apenas para se divertir e manter ritmo de pilotagem. Não é raro encontrar pilotos usando capacetes personalizados — algo muito comum no automobilismo profissional — disputando baterias de rental.

E antes que você pense:
“Então vou correr contra pilotos experientes…”
Calma.
Muitos pilotos de rental que treinam semanalmente acabam se tornando extremamente rápidos, às vezes até mais constantes que pilotos profissionais. Afinal, como em qualquer esporte, prática faz diferença.
Tem gente que separa R$ 360,00 por mês para disputar uma bateria por semana. São quatro corridas mensais. Com essa frequência, é natural evoluir rapidamente.
E existe outra vantagem muito legal: você pode fechar baterias privadas com amigos, criando disputas mais equilibradas e divertidas.
Muita gente que cresceu vendo Ayrton Senna, Nelson Piquet, Rubens Barrichello, Felipe Massa, Ingo Hoffmann, Paulão Gomes, Cacá Bueno, Felipe Nasr ou Vitor Meira carregou durante a vida inteira o sonho de pilotar, mas sempre pensou:
“Isso não é para mim.”
Mas talvez seja, sim.
O automobilismo pode ser para crianças, adultos e até idosos. Pode ser para qualquer pessoa apaixonada por carros e velocidade.
E deixo aqui também um recado especial para meu querido público feminino: existem muitas meninas e mulheres extremamente rápidas nesse meio.
Então, meu recado para você que ama corridas é simples:
Acredite no seu sonho.
Eu também não tinha condições financeiras quando comecei. Mas acreditei, sonhei e cheguei mais longe do que poderia imaginar.
Você não precisa ser campeão da Fórmula 1, da Indy ou da Stock Car para viver o automobilismo e ser feliz dentro dele.
Quem me conheceu lá em 1996 jamais imaginaria que um dia eu disputaria corridas de um campeonato brasileiro da Renault, correndo em pistas como Interlagos, Rio de Janeiro, Tarumã, Brasília e tantos outros circuitos, enfrentando pilotos que também passaram pela Stock Car.
Nem todo piloto começa em uma equipe profissional. Às vezes, tudo começa em um kart alugado, em uma noite qualquer de quarta-feira.
Fiquem com Deus, forte abraço e até sexta-feira que vem, aqui no JS SOBRE RODAS – AUTOMOBILISMO VISTO DE DENTRO.
Eu sou Carlos Rocha.
Piloto & Analista de Corridas

