America tem sede leiloada, mas ainda luta para manter “Mansão do Diabo”

Redação

julho 26, 2025

O America Football Club enfrenta um de seus momentos mais delicados em décadas. Um dos patrimônios mais simbólicos da história rubra, a tradicional sede da Rodovia Rio-Petrópolis – popularmente conhecida como “Mansão do Diabo” – foi oficialmente leiloada. Apesar disso, o clube, presidido pelo ex-jogador e atual senador Romário, ainda batalha nos tribunais para tentar reverter a decisão e manter o terreno, que serviu por anos como base da formação de atletas.

Leilão concretizado, posse transferida

No dia 8 de maio, uma empresa de empreendimentos imobiliários arrematou a sede do America por R$ 1,9 milhão, após sucessivos processos de cobrança judicial. Avaliado inicialmente em R$ 5 milhões, o casarão colonial teve descrição como “em ruínas”. No entanto, sua importância para o clube e para a história do futebol carioca vá muito além do valor comercial.

America
Página de Facebook “Memória Americana” mostra como era a “Mansão do Diabo” — Foto: Reprodução

Na última semana, a Justiça autorizou a imissão de posse do terreno, localizado no km 18 da Rodovia Washington Luiz, na altura de Duque de Caxias. A decisão ocorreu mesmo diante dos esforços do departamento jurídico do America, que alega não ter intimação devida para participar do processo de leilão – e, portanto, impedido de apresentar sua defesa dentro do prazo legal.

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Disputa jurídica ainda em andamento

Ainda que o imóvel já esteja nas mãos do novo comprador, o clube segue firme na tentativa de anular a arrematação. Por meio de uma nota oficial, o America afirma que “existem nulidades no processo de arrematação que são de cunho de ordem pública”. O clube promete recorrer a todas as instâncias possíveis para tentar reaver a posse do espaço.

Entretanto, a tarefa não será simples. No início de julho, o desembargador federal Alberto Nogueira Junior indeferiu os pedidos do America. Em sua decisão, o magistrado considerou que o clube foi sim notificado em tempo hábil e que perdeu o prazo de impugnação após o leilão. Isso dificulta – mas não encerra – as chances do Rubro de Campos Salles na Justiça.

Veja a nota do clube na íntegra:

“Ainda está pendente de julgamento o mérito do agravo de instrumento que questiona a arrematação. O America entende que existem nulidades no processo de arrematação que são de cunho de ordem pública, passíveis de serem alegadas mesmo no estágio atual da arrematação, deixando claro que o America lutará pelo seu direito até as instâncias superiores”.

No início de julho, despacho do desembargador federal Alberto Nogueira Junior rejeitou as argumentações do clube e afirmou que o America havia sido “regularmente intimado do despacho que nomeou o leiloeiro e assinalou as datas das hastas públicas em 08/04/2025, tendo decorrido o prazo sem qualquer manifestação”.

Dívidas e crise esportiva do America aprofundam cenário

O leilão da “Mansão do Diabo” se deu em razão de dívidas acumuladas com a União, que beiram R$ 1 milhão. Além disso, há mais de 10 pedidos de penhora associados ao imóvel, que nos últimos anos servia de base para as categorias de base do clube. O espaço, rebatizado como “Centro de Treinamentos e Lazer”, representava uma das poucas esperanças do America em se reerguer por meio da revelação de novos talentos.

O clube, inclusive, mantinha em seu site uma campanha em busca de parceiros e investidores interessados em revitalizar o local. O objetivo era claro: fazer da sede um polo de formação e desenvolvimento de atletas para voltar à elite do futebol carioca. Contudo, dentro de campo, o cenário também não ajuda. O America segue na Série A2 do Campeonato Carioca, novamente sem conseguir se classificar para o quadrangular do acesso.

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Um patrimônio em risco, mas ainda com luta

A “Mansão do Diabo” teve sua compra em 1963, durante a gestão de Wolney Braune, e virou símbolo da resistência rubra mesmo nos períodos mais difíceis. Agora, diante da iminente perda do espaço, o clube sustenta que o local é vital para seu plano de reestruturação. “A perda do espaço do CT prejudicaria diretamente a atividade fim do clube”, diz trecho de documento enviado à Justiça.

Apesar do revés na Justiça, o America não se dá por vencido. A diretoria jurídica segue recorrendo e acredita que ainda pode reverter a situação. Enquanto isso, o torcedor assiste com tristeza ao possível fim de um capítulo fundamental da história rubra – embora ainda reste esperança de que o destino da “Mansão do Diabo” tenha alteração.