A mágica de Luis Zubeldía no Fluminense

Redação

março 13, 2026

A chegada de Luis Zubeldía ao Fluminense em setembro de 2025 marcou um ponto de inflexão tática e anímica para o clube. Em um cenário onde o “Dinizismo” havia deixado um legado de posse de bola, mas também uma vulnerabilidade defensiva crônica, o argentino implementou uma filosofia de pragmatismo agressivo e solidez estrutural.

Abaixo, apresento uma análise detalhada sobre o impacto de Zubeldía nas Laranjeiras, sustentada por dados que evidenciam sua competência silenciosa.


1. O “Fortaleza Maracanã”: Aproveitamento em Casa

O dado mais impressionante da era Zubeldía é a transformação do Fluminense como mandante. Sob seu comando, o time recuperou a mística do “Time de Guerreiros”, estabelecendo uma das sequências de vitórias mais longas do século no estádio.

  • Vitórias Consecutivas: O treinador alcançou a marca histórica de 15 vitórias seguidas como mandante entre o fim de 2025 e o início de 2026.
  • Eficiência Defensiva: Em seus primeiros 29 jogos totais, a média de gols sofridos caiu para apenas 0,72 por partida, um contraste nítido com os períodos de instabilidade defensiva anteriores.
  • Destaque: A goleada de 6 a 0 sobre o São Paulo (seu ex-clube) em novembro de 2025 serviu como a prova definitiva de que o sistema ofensivo também havia encontrado fluidez.

2. Especialista em Clássicos

Zubeldía rapidamente entendeu a importância emocional do futebol carioca. Seu desempenho contra os rivais locais é um dos pilares de sua aceitação imediata pela torcida.

AdversárioDesempenho (2025-2026)
FlamengoPredomínio em vitórias, incluindo triunfos cruciais no Brasileirão e Carioca.
BotafogoVenceu o primeiro jogo na estreia e manteve invencibilidade em casa.
VascoHistórico equilibrado, com vitórias importantes na Copa do Brasil.

Nota: Zubeldía é atualmente o treinador com o melhor aproveitamento em clássicos pelo Fluminense no século XXI, superando nomes históricos do clube.

Fluminense_Zubeldia2
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3. A Revolução da Bola Parada

Um dos problemas crônicos do Fluminense em 2025 era a vulnerabilidade em lances de bola parada. Zubeldía, junto ao seu auxiliar Carlos Gruezo, transformou essa fraqueza na maior arma da equipe em 2026.

  • Trabalho Setorial: Implementação de treinos diários específicos para escanteios e faltas laterais.
  • Resultado Prático: O Fluminense tornou-se o time com maior índice de gols originados em bola parada no Campeonato Carioca de 2026.
  • O “Fator Lucho”: A organização do time ao redor de jogadores técnicos como Lucho Acosta permitiu que as jogadas ensaiadas ganhassem precisão cirúrgica.

4. Evolução como Visitante (Temporada 2026)

Se em 2025 o time sofria longe do Rio de Janeiro (apenas 1 vitória em 8 jogos no fim do ano), 2026 mostra um cenário de maturidade.

  • Equilíbrio: Nas primeiras 7 partidas fora de casa em 2026, o Flu somou 4 vitórias, apresentando um futebol mais compacto e transições velozes.
  • Padrão Tático: O uso do sistema 4-2-3-1 deu ao time uma sustentação no meio-campo que permite controlar o ritmo do jogo mesmo sob pressão adversária.

Conclusão: A “Terceira Força”

O trabalho de Luis Zubeldía elevou o Fluminense ao patamar de candidato real a todos os títulos em 2026. Sem alarde e com foco total no campo, ele corrigiu as deficiências herdadas e potencializou as virtudes técnicas do elenco. O aproveitamento geral de 73,56% em seus primeiros meses de clube é o cartão de visitas de um projeto que une competitividade argentina com o talento tricolor.

Para entender como Luis Zubeldía transformou o ataque do Fluminense em uma unidade letal em 2026, é preciso olhar além do talento individual. O segredo do argentino reside na ocupação racional de espaços e na liberdade vigiada. Diferente do modelo anterior, que exigia aproximações constantes e trocas de passes curtos, o Flu de Zubeldía é vertical e ataca as profundezas.

Aqui está a análise de como ele potencializou cada peça desse trio:


1. Lucho Acosta: O “Enganche” Moderno

Sob o comando de Zubeldía, Lucho Acosta deixou de ser apenas um ponta ou meia lateral para se tornar o cérebro absoluto do time.

  • O Ajuste Tático: Zubeldía o posicionou no “vão” entre os volantes e a defesa adversária (o chamado pocket). Ele não precisa mais recompor até a linha de fundo defensiva; o treinador sacrificou um volante de contenção para dar a Acosta o raio de ação livre.
  • O Resultado: Acosta tornou-se o líder de assistências do Brasil em 2026. Ao receber a bola de frente para o crime, ele tem três opções de passe vertical que o sistema de Zubeldía oferece constantemente.
  • Dados: Seu índice de “passes progressivos” (que quebram linhas) subiu 35% em relação à sua média na MLS e no início no Flu.

2. John Kennedy: A Fera Domesticada e Vertical

Zubeldía identificou que John Kennedy rende mais quando não precisa lutar sozinho contra dois zagueiros de costas para o gol.

  • O Ajuste Tático: O treinador implementou o movimento de “facão” constante. Kennedy agora ataca o espaço entre o lateral e o zagueiro. Zubeldía exige que ele esteja sempre em movimento, aproveitando a visão de Acosta.
  • A Mudança de Mentalidade: O técnico argentino deu a Kennedy a confiança de ser o finalizador primário. Em vez de flutuar pelas pontas, ele agora pisa na área em 80% das posses ofensivas.
  • Estatística Chave: A média de finalizações de John Kennedy dentro da pequena área dobrou. Ele está “caçando” o gol de forma mais eficiente, diminuindo chutes de longa distância sem nexo.
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3. Agustín Canobbio: O Equilíbrio e a Intensidade

Canobbio é o “motor” do sistema de Zubeldía. O treinador, que já conhecia o perfil aguerrido do uruguaio, transformou-o em um ala agressivo que faz a diagonal para dentro.

  • O Ajuste Tático: Enquanto Acosta cria e Kennedy finaliza, Canobbio é quem desequilibra na força física e na transição defensiva. Zubeldía utiliza Canobbio para “limpar o trilho” para o lateral direito subir, criando superioridade numérica.
  • Potencialização: O uruguaio passou a ser um elemento surpresa no segundo pau. Como o jogo pende muito para o lado de Acosta, Canobbio aparece livre para finalizar cruzamentos rasteiros.
  • Impacto: É o jogador do elenco com mais desarmes no campo de ataque, permitindo ao Fluminense retomar a bola perto do gol adversário (o famoso gegenpressing adaptado pelo Zubeldía).

O Triângulo da Eficiência (2026)

JogadorFunção PrimáriaPrincipal Melhoria com Zubeldía
Lucho AcostaCriador (Playmaker)Menos desgaste defensivo, mais passes decisivos.
John KennedyFinalizador (Striker)Posicionamento mais central e ataques ao espaço.
CanobbioOperário/Vertical (Winger)Intensidade na marcação alta e infiltração na área.

Por que funciona?

Zubeldía aplica o conceito de “Triângulos Dinâmicos”. Onde quer que a bola esteja, esses três jogadores formam um triângulo de apoio que confunde a marcação. Se a zaga foca em Acosta, Kennedy escapa nas costas. Se dobram a marcação em Kennedy, Canobbio aparece como elemento surpresa.

O Fluminense de 2026 não é apenas um time que toca a bola; é um time que agride os espaços que o adversário esquece de vigiar.